É comum que o advogado seja valorizado apenas quando surge uma pendência judicial. Essa visão, contudo, é limitada. Um bom profissional do Direito atua muito antes do conflito se instalar e permanece relevante mesmo após sua resolução. A associação quase exclusiva entre advocacia e processo judicial decorre de uma formação jurídica tradicional, marcada pela ideia de litigiosidade latente, segundo a qual todo conflito inevitavelmente se transformaria em demanda judicial, fazendo do Judiciário o principal palco da advocacia.
Da atuação preventiva: Na prática, porém, toda demanda levada a juízo nasce muito antes. Com acerto, afirma-se que o advogado é o primeiro juiz da causa, pois é ele quem analisa o problema em sua origem, avalia riscos, possibilidades e consequências, muitas vezes antes mesmo da existência de um processo. A atuação preventiva da advocacia tem papel fundamental na contenção de conflitos, evitando sua concretização e funcionando como verdadeiro instrumento de equilíbrio em uma sociedade democrática de direito.
Da consultoria jurídica: Dentro dessa lógica preventiva, destaca-se a consultoria jurídica. Por meio dela, o advogado auxilia o cliente antes, durante e depois do surgimento de um problema, oferecendo análise criteriosa dos prós e contras das decisões a serem tomadas, inclusive quanto à conveniência ou não da judicialização. Essa função é indissociável da advocacia e revela sua face estratégica.
Da advocacia extrajudicial: Ainda no âmbito consultivo, a orientação para elaboração de contratos, condução de negociações e estruturação de operações comerciais evidencia a importância da advocacia extrajudicial. Nesses casos, o trabalho técnico adequado reduz significativamente a probabilidade de litígios futuros e assegura maior segurança jurídica às relações estabelecidas.
Da advocacia de contenção empresarial: No ambiente empresarial, é cada vez mais comum a presença de uma advocacia preventiva ou de contenção, composta por profissionais que auxiliam a diretoria na tomada de decisões estratégicas, na estruturação de negócios e na mitigação de riscos. Soma-se a isso a valorização do compliance, entendido como o conjunto de práticas, políticas e controles internos voltados ao cumprimento da legislação, de normas éticas e de padrões institucionais, com foco na integridade e na prevenção de riscos como corrupção, fraudes e lavagem de dinheiro.
Da advocacia de planejamento sucessório: A atuação do advogado também é essencial no planejamento patrimonial e sucessório. Famílias detentoras de patrimônio relevante buscam, de forma legítima, organizar e proteger os bens que constituíram ao longo do tempo. Nesse contexto, o advogado analisa a estrutura patrimonial e sucessória, utilizando conhecimentos de direito civil e tributário para garantir segurança jurídica, previsibilidade e continuidade patrimonial.
Da advocacia administrativa: Outro campo relevante é a defesa administrativa. A atuação técnica perante órgãos como o Procon e agências reguladoras pode ser decisiva para o reconhecimento de direitos ou para a solução definitiva de conflitos, muitas vezes evitando a judicialização e contribuindo para a redução da sobrecarga do Judiciário.
Diante desse cenário, percebe-se um novo desenho estratégico da advocacia. O advogado não deve ser visto como último recurso, acionado apenas na esfera judicial, mas como profissional a ser consultado desde as fases iniciais de qualquer decisão relevante.
Em síntese, o advogado exerce papel muito mais amplo do que o de simples representante em juízo. Ele é um parceiro estratégico e confiável, que alia técnica jurídica e habilidades humanas para orientar decisões, prevenir conflitos e conduzir o cliente de forma segura pelo sistema legal.
Equipe Brüning