A advocacia empresarial diuturna nos leva a compreender que uma empresa nunca “quebra” de repente. Como organismo vivo que é, uma organização vai dando sinais de falta de saúde financeira que, se não tratado, pode levar ao padecimento fatal do negócio.
Portanto, sugerimos cinco sinais de alerta de que uma empresa possa estar se aproximando de uma crise financeira:
• Fluxo de caixa persistentemente negativo: Este é um ponto fundamental, onde os responsáveis devem avaliar sempre, talvez até através de algum backlog jurídico (checklist), se a operação não gera recursos suficientes para sustentar as próprias atividades.
• Aumento do endividamento de curto prazo: Na esteira do fluxo de caixa negativo, é preciso avaliar se há empréstimos sucessivos feitos para pagar despesas correntes e dívidas anteriores.
• Atrasos recorrentes com fornecedores e tributos: Outro aspecto a se avaliar, é quando fornecedores sinalizam a perda de credibilidade comercial e, ainda, quando há um aumento do passivo, inclusive tributário.
• Dependência de crédito para manter a operação: A recorrência à necessidade constante de renegociar limites bancários ou contratar novos empréstimos, também é outro indicador de que a empresa já não está saudável ou está entrando em processo de fragilidade financeira.
• Redução das margens e perda de rentabilidade: Ainda, é preciso aferir se o faturamento permanece estável, mas, porém, a geração de caixa diminui ao longo do tempo.
Detectado o problema e identificando-se que a capacidade futura de geração de caixa pode ser insuficiente para cumprir obrigações assumidas, surge a questão de se saber qual é o momento adequado para se reestruturar o passivo, relembrando-se de que não é necessário esperar que a empresa deixe de pagar fornecedores, funcionários ou bancos. A reestruturação deve ser considerada quando os indicadores financeiros demonstram que o problema deixou de ser pontual e passou a ser estrutural.
Portanto, vamos aos cinco sinais, exemplificativos, de que chegou o momento para agir:
• Projeção: Observe se o fluxo de caixa projetado não cobre as dívidas futuras. A empresa continua operando, mas as projeções indicam que não haverá recursos suficientes para pagar as obrigações nos próximos meses, mesmo com receitas razoavelmente previsíveis.
• Busca de recursos: Muitas empresas contraem novas dívidas para pagar as mais antigas. Neste caso, empréstimos sucessivos, antecipação recorrente de recebíveis e uso constante de crédito emergencial podem indicar que a operação não gera caixa suficiente para se sustentar.
• Prorrogação de dívidas: As renegociações, na maioria das vezes, apenas adiam o problema e é preciso ficar atento a isso. A empresa consegue prorrogar vencimentos, mas o endividamento continua crescendo, os juros consomem a margem operacional e não há melhora consistente na capacidade de pagamento.
• Restrições: Atenção quando os credores começam a restringir as condições de crédito. Observe a redução de limites bancários, exigência de garantias adicionais, encurtamento de prazos e recusa de fornecedores em conceder crédito podem indicar deterioração da confiança financeira.
• Escolha do que pagar: Outro ponto é quando o pagamento das dívidas ameaça a continuidade da operação. A empresa precisa escolher entre pagar credores e manter recursos para folha de pagamento, estoque, fornecedores essenciais e outras despesas operacionais.
Claro, um único sinal não determina, isoladamente, a necessidade de reestruturação. O relevante é avaliar com o corpo jurídico da empresa e sempre, a intensidade, a persistência e a combinação desses fatores a fim de tomar providências.
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Equipe Jurídica Empresarial – Brüning Advogados Associados